Curadoria Inteligente
07/02/2026 | 2 min leitura

O TSE e o Equívoco da Ocultação do CPF de Candidatos: Um Retrocesso Democrático

Ocultar o CPF de candidatos é um erro que pune o eleitor e esvazia a transparência, impactando a fiscalização e a democracia.

O TSE e o Equívoco da Ocultação do CPF de Candidatos: Um Retrocesso Democrático

O Erro Político e Institucional do TSE

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de não exibir o CPF de candidatos, sob a alegação de cumprir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), representou um equívoco tanto político quanto institucional. Ao pretender proteger aqueles que disputam o poder, a corte eleitoral acabou por onerar o eleitor e diminuir a transparência do processo eleitoral. Em uma democracia, a clareza é fundamental.

Reação da Sociedade Civil

Essa medida gerou uma resposta imediata de entidades da sociedade civil e do jornalismo investigativo. Organizações como Abraji, Transparência Brasil, Open Knowledge, Artigo 19 e Base dos Dados manifestaram preocupação, alertando que a ocultação do CPF configura um retrocesso. O número do CPF não é considerado um dado sensível, sendo um dado cadastral com divulgação permitida pela Receita Federal, TCU e CGU quando se trata de agentes públicos.

Impacto na Fiscalização

A ausência do CPF torna a fiscalização ineficaz. É esse número que possibilita a distinção entre candidatos com nomes idênticos, a verificação do patrimônio, o rastreamento de doações, a identificação de candidaturas fraudulentas e a revelação de impedimentos legais. Retirar o acesso público a essa informação não resguarda a democracia, mas sim protege candidatos com intenções obscuras.

Recuo do TSE e a Importância da Publicidade

Após a pressão exercida, o TSE reconsiderou sua posição e incluiu, na proposta para 2026, o retorno da divulgação do CPF, mantendo em sigilo apenas dados considerados sensíveis, como telefone, e-mail e imagem de documentos. Em um processo eleitoral, a regra geral deve ser a publicidade, e o sigilo, a exceção. Aqueles que almejam um mandato devem estar dispostos a passar por um escrutínio rigoroso. Candidatos que temem a transparência não são dignos de voto.

*Bosco Martins é escritor e jornalista.

Original em RCN 67

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