O caso envolvendo Antonio Coral Costa, conhecido como Toninho Colibri (PSDB), ex-presidente da Câmara de Vereadores de Santa Rita do Pardo, reacende debates acerca da lentidão do judiciário e da falta de clareza nas investigações de delitos eleitorais em Mato Grosso do Sul.
Toninho, de 65 anos, foi pego em flagrante em 6 de outubro de 2024, acusado de praticar corrupção eleitoral após denúncia de compra de votos através da distribuição de vales de combustível em um posto da cidade. Apesar da seriedade das acusações e das evidências encontradas, o vereador foi liberado três dias depois, após o pagamento de fiança, que foi reduzida de R$ 50 mil para R$ 20 mil.
Mesmo preso durante o período eleitoral, o político conseguiu ser reeleito como o segundo vereador mais votado do município, com 309 votos. Essa situação tem causado revolta entre os moradores, que demandam uma resposta mais rápida e rigorosa das autoridades judiciais e da própria Câmara Municipal.
De acordo com informações da polícia, a denúncia surgiu na manhã da eleição de 2024, por volta das 10h30. Durante a operação, os policiais encontraram uma sacola com mais de 200 vales de combustível, que teriam sido entregues pelo gerente do posto a pedido do vereador. O estabelecimento foi temporariamente fechado para impedir a continuidade da prática ilegal.
Em depoimento, o gerente confirmou que o vereador negociava diretamente com o dono do posto, e que um homem chamado “Chocolate”, assessor de Toninho, era o responsável por distribuir os vales entre os cabos eleitorais e os eleitores. Com ele, a polícia encontrou vales idênticos aos que já haviam sido apreendidos, bem como material de campanha do vereador.
Apesar dos indícios de compra de votos, o caso ainda não teve uma conclusão judicial e nenhuma medida interna foi tomada pela Câmara Municipal. Até o momento, não houve nenhum pedido formal de abertura de uma comissão de ética para investigar a conduta do vereador.
O Ministério Público está acompanhando o caso, e a investigação prossegue sob a responsabilidade da Polícia Civil, porém sem previsão de uma denúncia formal à Justiça.
Enquanto isso, a população local clama por agilidade: “A lei deve ser igual para todos. Não é aceitável que alguém seja preso por corrupção e continue exercendo um cargo público como se nada tivesse acontecido”, declarou um morador que preferiu não se identificar. A reportagem tentou entrar em contato com Toninho Colibri, mas o vereador não respondeu às ligações.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e o portal Campo Grande News, 12 pessoas foram presas em todo o Estado durante as eleições de 2024, incluindo quatro candidatos, um colaborador e sete eleitores, todos em cidades do interior de Mato Grosso do Sul.