Em Três Lagoas, a violência doméstica atinge mais de 80 mulheres a cada mês. Este dado alarmante se agrava ao ser analisado junto aos cerca de 1.356 registros de agressão e violência sexual em 2025, demonstrando uma problemática constante que exige ações firmes da sociedade e do poder público.
Conforme Johanes Deguti, delegado adjunto da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), o número é preocupante, mas reflete um progresso no combate à violência. Ele ressalta o compromisso da delegacia em garantir tolerância zero aos agressores e o reconhecimento do trabalho pela população.
Deguti, antes na 1ª Delegacia de Água Clara, agora auxilia na DAM de Três Lagoas, liderada pela delegada Sayara Quinteiro Martins. A unidade intensificou prisões, medidas protetivas e o acompanhamento das vítimas. Em 2024, 84 homens suspeitos de agressão foram presos no município, segundo dados da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) levantados pelo Jornal do Povo.
MEDO E INSEGURANÇA
Apesar dos esforços policiais, o delegado aponta que a denúncia ainda é um desafio para muitas mulheres, devido ao medo de perder o sustento, dependência financeira, preocupação com os filhos e receio de represálias. O consumo de álcool frequentemente agrava os casos de agressão.
AÇÃO GRADUAL
A violência nem sempre se manifesta no início do relacionamento, surgindo gradualmente e evoluindo ao longo dos anos para situações extremas, como o feminicídio. Deguti relata que essas histórias se desenvolvem no silêncio e chegam à polícia em estágios graves.
O aumento nos registros também indica que mais mulheres se sentem seguras para buscar ajuda. Três Lagoas oferece uma rede de apoio com forças de segurança, assistência psicológica e social, e medidas judiciais de proteção, essenciais para interromper o ciclo da violência. A denúncia, o acolhimento e a prevenção são cruciais.
As denúncias podem ser realizadas através do Disk 180 ou diretamente na DAM de Três Lagoas.