O aumento nos preços do café nos últimos anos impactou o consumo no mercado brasileiro em 2025. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) divulgou que o consumo da bebida teve uma redução de 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, comparado ao período anterior, passando de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 kg. O maior consumo foi registrado em 2017, com 22 milhões de sacas.
Os preços ao consumidor subiram 5,8%, reflexo da instabilidade dos anos anteriores. A Abic informou que, nos últimos cinco anos, a matéria-prima aumentou 201% para o conilon e 212% para o arábica. No varejo, o aumento foi de 116%.
Pavel Cardoso, presidente da Abic, atribui o aumento dos preços em 2025 aos problemas de safras ruins e baixos estoques.
“Desde 2021, a cadeia global de oferta e demanda está desequilibrada. Problemas climáticos sucessivos em 2021 afetaram o tamanho da safra”, explicou Pavel.
Apesar da queda no consumo, Pavel considera o resultado do ano anterior positivo, destacando a resiliência do consumo de café no Brasil diante da escalada de preços desde 2021.
Pavel acrescenta que a leve redução de 2,31% é vista como uma notícia positiva, considerando os aumentos expressivos nos últimos cinco anos, tanto para a matéria-prima quanto para o consumidor.
O Brasil permanece como o segundo maior consumidor de café no mundo, atrás dos Estados Unidos, mas supera o consumo per capita dos EUA, com uma média de 1,4 mil xícaras por brasileiro ao ano.
Expectativas
A queda no consumo interno não prejudicou o faturamento da indústria, que cresceu 25,6% em 2025, totalizando R$ 46,24 bilhões. A Abic explica que esse crescimento se deve principalmente ao aumento do preço do café.
Para 2026, a Abic prevê um cenário de preços mais estáveis, com a entrada de uma safra promissora. A queda no preço ao consumidor deve ocorrer apenas em duas safras, devido aos baixos estoques globais. A Abic aposta em promoções para atrair consumidores.
Pavel avalia que os estoques globais estão historicamente baixos e que, com uma boa safra, a volatilidade dos preços deve diminuir.
“Ainda que haja um arrefecimento de volatilidade, não temos grandes espaços para reduções substanciais [no preço do produto] porque os estoques estão historicamente baixos. O entendimento de alguns operadores de mercado é de que precisaremos de pelo menos duas safras para a gente ter essa redução [de preço] numa proporção mais confortável para o consumidor”, disse.
Tarifaço
A cadeia do café busca reduzir as tarifas aplicadas pelos EUA ao café solúvel. A tarifa de 40% sobre o café em grão foi suspensa, mas o café solúvel continua sendo taxado.
Pavel informou que a taxação do café solúvel está em discussão, com expectativa de reversão em breve.
Pavel considera que o acordo entre Mercosul e União Europeia traz perspectivas positivas para o setor, ressaltando a posição do Brasil como maior produtor de café do mundo.
Agência Brasil