Concessão da Rota da Celulose Promete Modernização e Segurança Viária em MS
O governo de Mato Grosso do Sul formalizou, nesta segunda-feira (02), o contrato de concessão da Rota da Celulose, um projeto fundamental que busca aprimorar 870 quilômetros de rodovias federais e estaduais no estado. O acordo foi selado com o Consórcio Caminhos da Celulose, que se tornou o vencedor após a desclassificação da empresa anteriormente qualificada devido a inconsistências em sua documentação durante o processo de licitação.
A concessão engloba trechos das rodovias BR-262 e BR-267, assim como as rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, consideradas de grande importância para o transporte da produção agrícola e industrial da região leste de Mato Grosso do Sul. No total, estão previstos investimentos de R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos, dos quais R$ 6,9 bilhões serão destinados a obras de infraestrutura e R$ 3,2 bilhões para custos operacionais.
De acordo com o cronograma apresentado durante a cerimônia de assinatura, as obras já tiveram início com ações imediatas planejadas para os primeiros 100 dias da concessão. Entre os serviços programados estão roçada, poda e capina em mais de 2,1 milhões de metros quadrados, sinalização horizontal e vertical, instalação de tachas refletivas, limpeza de sistemas de drenagem, remoção de lixo e entulho, implantação de defensas metálicas e reparos emergenciais em aproximadamente 150 quilômetros de pavimento.
As intervenções de maior escala, como duplicações, construção de acostamentos e faixas adicionais, estão programadas para começar a partir do segundo ano da concessão e serão implementadas gradualmente ao longo do período do contrato.
O Consórcio Caminhos da Celulose é composto pelas empresas XP Infra V Fundo de Investimento em Participações, CLD Construtora, Laços Detetores e Eletrônica Ltda., Conter Construções e Comércio S.A., Construtora Caiapó Ltda., Ética Construtora Ltda., Distribuidora Brasileira de Asfalto Ltda. e Conster Construções e Terraplanagem Ltda.
Durante o evento, o diretor-presidente da XP Investimentos, Luiz Fernando Vasconcellos de Donno, enfatizou que o projeto representa um avanço significativo na logística tanto para o estado quanto para o país. Ele afirmou que a concessão tem como foco principal investimentos em infraestrutura, como duplicações, terceiras faixas, acostamentos e restauração completa do pavimento, buscando suprir as deficiências históricas da malha rodoviária abrangida.
Entre as inovações previstas, destacam-se sistemas modernos de sinalização, monitoramento tecnológico e a implementação do pedágio no modelo "free flow", que permite a cobrança sem a necessidade de paradas em praças de pedágio, otimizando o fluxo de tráfego e diminuindo a emissão de gases poluentes.
O governador Eduardo Riedel (PP) salientou que as concessões são essenciais para aumentar o nível de segurança viária. Ele destacou que, mesmo nos trechos que não receberão duplicação imediata, haverá melhorias notáveis, como acostamentos em toda a extensão, faixas adicionais, sinalização adequada e suporte operacional constante.
Conforme o projeto executivo, a Rota da Celulose contempla 115 quilômetros de duplicações, 457 quilômetros de acostamentos, 245 quilômetros de terceiras faixas, 12 quilômetros de vias marginais, 38 quilômetros de contornos urbanos, além da instalação de dispositivos viários, acessos, passagens de fauna e ampliação de pontes.
O projeto foi idealizado pelo governo estadual para atender à crescente demanda logística da região leste, impulsionada pela instalação de grandes indústrias de celulose, como a megafábrica de Ribas do Rio Pardo, bem como outras unidades do setor.
O processo de licitação enfrentou questionamentos após a desclassificação do consórcio inicialmente vencedor, devido a problemas documentais relacionados a concessões federais anteriores. Após análise de recursos e pareceres técnicos, o Consórcio Caminhos da Celulose foi oficialmente habilitado e convocado para assumir a concessão, resultando na assinatura do contrato nesta semana.