Curadoria Inteligente
22/01/2026 | 3 min leitura

Obrigatoriedade de equipe para doação de órgãos em UTIs hospitalares

Hospitais com UTI agora devem ter equipes para doação de órgãos, conforme nova portaria do Ministério da Saúde. Medida visa aumentar transplantes.

Obrigatoriedade de equipe para doação de órgãos em UTIs hospitalares

Hospitais em todos os estados devem comprovar estrutura permanente para cirurgias de transplante

Hospitais que possuem Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e atualmente não dispõem de uma estrutura contínua para identificar potenciais doadores de órgãos, serão obrigados a estabelecer equipes especializadas para essa finalidade. Essa mudança impulsiona as unidades de saúde a reportarem casos de morte encefálica e a abordar as famílias dos pacientes, sujeitos a penalidades em caso de não cumprimento.

Tal regra consta em uma portaria publicada nesta quarta-feira (21) pelo Ministério da Saúde no Diário Oficial da União (DOU). A ação integra a nova Política Nacional de Doação e Transplantes, idealizada pelo Ministério da Saúde e assinada pelo ministro Alexandre Padilha. O documento reestrutura o sistema de transplantes no país e unifica normas antes dispersas em diversos atos administrativos.

Em Mato Grosso do Sul, a nova diretriz abrange uma extensa rede de hospitais com UTI, concentrada especialmente em Campo Grande e Dourados. Na capital, a Santa Casa é um centro de referência em transplantes, enquanto o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) também mantém uma comissão intra-hospitalar e equipes multidisciplinares desde 2025.

O Hospital Cassems Campo Grande possui credenciamento pelo Ministério da Saúde e opera tanto na captação quanto nos transplantes, incluindo os de medula óssea e coração. Já o Hospital Adventista do Pênfigo se tornou referência em transplantes de fígado. A captação de órgãos também é realizada pelo Hospital Universitário da UFMS (Universidade Federal).

Em Dourados, o HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade da Grande Dourados) também efetua a captação, enquanto o Hospital da Vida, o Hospital Cassems Dourados, o Hospital Santa Rita e o Hospital Regional dispõem de leitos de UTI, embora nem todos explicitem a manutenção de equipes fixas dedicadas exclusivamente à doação de órgãos.

Nas demais cidades do interior, hospitais regionais, como o da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas, e o Hospital Marechal Rondon, em Jardim, também serão diretamente afetados pela portaria, devido à presença de UTIs.

Além da obrigatoriedade imposta aos hospitais, a portaria estabelece metas específicas, algo incomum nesse tipo de política pública. Entre elas, destaca-se a redução do tempo de espera para transplante de córnea para até 60 dias, além do aumento no número de doadores efetivos e nas autorizações familiares.

O Ministério da Saúde também expandiu o poder das Centrais Estaduais de Transplantes, que passam a monitorar indicadores, auditar listas de espera e até mesmo suspender equipes em caso de irregularidades. O uso do sistema informatizado nacional se torna obrigatório para o registro e a distribuição de órgãos.

Na prática, a portaria fortalece o controle federal sobre um sistema marcado por desigualdades regionais e pelo baixo aproveitamento de potenciais doadores. Ao estabelecer obrigações objetivas e metas mensuráveis, o governo busca diminuir as filas de espera e expor as falhas que antes permaneciam diluídas entre estados e hospitais.

(por Kamila Alcântara)

Original em Perfil News

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