Avaliação de outubro revela disparidades; UFMS se sobressai com a melhor avaliação.
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), cujos resultados foram liberados nesta segunda-feira (19) pelo Inep, expôs que duas faculdades particulares sul-mato-grossenses obtiveram desempenho abaixo do esperado. Em contrapartida, as instituições públicas, tanto federais quanto estaduais, alcançaram as melhores avaliações no exame.
Segundo os dados divulgados, os cursos de Medicina da Uniderp Anhanguera, localizada em Campo Grande, e da Unicesumar, situada em Corumbá (a 420 km da Capital), foram avaliados com nota 2, um conceito considerado abaixo dos padrões de qualidade.
A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) foi a única instituição a obter a nota máxima, alcançando conceito 5 nos seus campi de Campo Grande e Três Lagoas. A universidade figura entre as 49 instituições de ensino superior com melhor desempenho no país.
A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) obtiveram nota 4, também considerada satisfatória.
Os cursos que receberam avaliações negativas, com conceitos 1 e 2, estão sujeitos a sanções por parte do MEC (Ministério da Educação). No Mato Grosso do Sul, as instituições privadas que obtiveram nota 2 poderão ter o número de vagas oferecidas reduzido. No total, 351 cursos participaram do exame, dos quais 304 fazem parte do Sistema Federal de Ensino.
Na sexta-feira (17), a Justiça Federal negou o pedido das faculdades privadas que buscavam impedir a divulgação dos resultados do Enamed. A solicitação foi feita por meio de liminar pela Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), que alegou falhas regulatórias e procedimentais no exame. A associação também questionou o critério de cálculo do parâmetro de proficiência, que, segundo ela, foi divulgado pelo Inep somente após a aplicação da prova.
A Anup argumentou que a divulgação das notas poderia levar à perda de alunos, dificuldades financeiras e prejuízos à imagem das instituições. No entanto, o juiz Rafael Leite Paulo, da 3ª Vara Cível do Distrito Federal, considerou que os eventuais prejuízos não se sobrepõem ao interesse público na transparência das avaliações do ensino médico.
O exame foi aplicado em outubro de 2024 a estudantes do último ano de Medicina em todo o país, incluindo os acadêmicos de Mato Grosso do Sul. As sanções aplicadas pelo MEC permanecem em vigor até a próxima edição do exame, agendada para outubro deste ano.
As faculdades particulares mencionadas foram contatadas para comentar, mas não se manifestaram até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para futuras declarações.
(por Clara Farias)