Curadoria Inteligente
06/02/2026 | 5 min leitura

El Niño agrava o risco de incêndios em MS em 2026, aponta previsão

Fenômeno climático intensificará o calor e a falta de chuvas em MS, elevando a ameaça de incêndios no Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.

El Niño agrava o risco de incêndios em MS em 2026, aponta previsão

El Niño eleva risco de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul em 2026

O fenômeno climático deve intensificar o calor e a irregularidade das chuvas, aumentando a ameaça ao Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica

A influência do fenômeno climático El Niño em Mato Grosso do Sul deve exacerbar, no decorrer de 2026, o risco de incêndios florestais nos principais biomas do Estado, como o Cerrado, a Mata Atlântica e, notadamente, o Pantanal. O fenômeno modifica o padrão das chuvas, aumenta as temperaturas e altera o comportamento dos ventos, estabelecendo condições favoráveis à propagação do fogo.

Em Mato Grosso do Sul, o El Niño age diretamente, com previsão de temperaturas mais altas, mesmo durante o inverno, além de causar irregularidades nas precipitações. Perante este cenário, o Estado dispõe de uma estrutura de resposta preparada, que engloba o emprego de tecnologia, a mobilização de equipes terrestres e aéreas, bases avançadas em áreas estratégicas e um planejamento direcionado a ações preventivas e de combate aos focos de incêndio.

De acordo com a meteorologista Valesca Fernandes, do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a situação tende a se agravar nos próximos meses, após um período de precipitações abaixo do esperado até janeiro. Apesar de, desde o começo de fevereiro, alguns municípios terem registrado volumes de chuva acima da média mensal, o alerta prossegue.

Os dados que sustentam o monitoramento são consolidados a partir de informações de 48 municípios, reunindo levantamentos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“Em relação ao El Niño, o trimestre de fevereiro, março e abril sinaliza condições de neutralidade. Contudo, no segundo semestre há indícios de retorno do fenômeno, o que poderá promover temperaturas acima da média e ondas de calor”, esclarece Valesca. “Este panorama coincide com o período seco, quando a umidade relativa do ar é muito baixa. A junção de altas temperaturas, ondas de calor e baixa umidade tem o potencial de intensificar significativamente a ocorrência de incêndios florestais”, conclui.

O incremento de eventos climáticos severos é uma das principais características relacionadas ao El Niño, que influenciou os recordes de calor registrados entre 2023 e 2025. Segundo o Cemtec, a previsão é de que o fenômeno volte a se desenvolver entre o fim do outono e o início do inverno, impactando diretamente o próximo período seco, que deverá ter chuvas irregulares e abaixo da média histórica.

Diante desse quadro, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém ações estruturadas de prevenção e combate aos incêndios florestais em todos os biomas. O trabalho do Corpo de Bombeiros é executado por terra e pelo ar, com o uso de aeronaves para combater as chamas em áreas de difícil acesso e para o transporte rápido de equipes.

A atuação também é reforçada pelo uso de tecnologia, com drones e análises de georreferenciamento, que se tornaram aliados importantes para tornar o controle e a extinção do fogo mais eficientes.

Durante a Operação Pantanal 2025, houve uma redução expressiva no número de focos de calor e na área atingida pelas chamas em Mato Grosso do Sul. Ao todo, pouco mais de 202,6 mil hectares foram queimados, número significativamente inferior ao registrado em 2024, quando mais de 2,3 milhões de hectares foram afetados pelo fogo.

A redução histórica é atribuída a um conjunto de fatores, como maior conscientização da população, fortalecimento da atuação interinstitucional, rapidez na resposta aos focos de incêndio e qualificação técnica das equipes. Somente no ano passado, cerca de mil brigadistas foram formados, além de condições climáticas ligeiramente mais favoráveis, mesmo diante do déficit hídrico persistente.

A atuação preventiva do Corpo de Bombeiros, com manejo do fogo, capacitações e a instalação de bases avançadas no Pantanal desde 2024, foi determinante para reduzir o tempo de resposta das equipes. Um exemplo é a base avançada instalada na região do Amolar, que tem contribuído de forma decisiva para a eficiência no combate aos incêndios.

Na fase operacional, os Bombeiros monitoraram 924 eventos de fogo detectados por satélite e combateram diretamente 88 deles, totalizando 1.105 ações de combate. Ao todo, 1.298 militares foram mobilizados, com apoio de 60 viaturas, para atender 4.391 ocorrências, a maioria em áreas urbanas e periurbanas.

“É importante ressaltar que, ao longo de todo o ano, o Corpo de Bombeiros manteve um padrão consistente de qualidade no trabalho. Em diversos casos, conseguimos combater focos de incêndio antes mesmo de serem registrados pelos sistemas de monitoramento via satélite”, destacou o subdiretor de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira.

com informações agência Gov.MS

Original em Radio Caçula

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